terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Quem é o "pai da criança"?


O Brasil vem num processo de transformação de mais de 20 anos. Durante boa parte de sua história o país sofreu de uma crise de identidade profunda sem achar o seu lugar ao sol. Deu muita cabeçada. A Argentina também é assim. Até hoje eles pensam que são europeus. Lembremos que com Sarney, houveram diversos pacotes de ajustes para tentar conter a inflação. O Brasil se converteu num laboratório de testes. Isso continuou com Collor, que também teve seus "méritos", o de abrir a economia. Quem não se lembra das carroças? E não adianta aquele discurso de que isso era inevitável e aconteceria em qualquer governo. Pode até ser, mas aconteceu no dele, portanto não lhe roubemos os louros que lhe convém. Itamar sim, teve o grande mérito de estar no poder quando chegou a estabilização por meio de uma moeda forte. FHC é igualzinho ao LULA no que diz respeito a apropriação indébita de méritos. A diferença é que LULA é autêntico, ou seja, um canastrão, um fanfarrão e gosta mesmo de pobre . FHC se alinhou a LULA nos anos 70, mas sempre foi elite. Cheiro de pobre incomoda o sociólogo da Sourbone. Quanto a ambos se acharem os "pais da criança", acho normal. Jamais condenaria qualquer deles por isso, pois é próprio da política. Reconhecer os méritos do adversário é suicídio político e só inocentes esperam por isso.

O dado concreto é que desde o fim da ditadura, ou seja, com Sarney, teve inicio o processo que culminou no Brasil que temos hoje. Os honestos intelectualmente não terão dificuldades em conceder o devido lugar a cada um na história, inclusive dos sempre esquecidos André Lara Rezende e Persio Arida, os homens dos bastidores, mentores do DNA do Real. Aos apaixonados, por sua vez, cabe exaltar seus heróis, ou seja, o mais hábil na capacidade de iludir incautos..

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

O Quinto poder...


A gente sempre ouve falar dos tres poderes:

Executivo
Legislativo e
Judiciário.

Passamos a ouvir falar da imprensa como o 4º poder. Porém o que limita a imprensa na condição de 4º poder é o fato dela possuir dono(s), servindo, portanto a interesses particulares por mais que alguns meios se vangloriem de uma certa indepedencia..(áh váaa)...

A Internet não poderia ser considerada uma espécie de 5º poder?

Alguns dirão que ela se incluiria na imprensa...Será?

Explico, a internet não tem dono e cada dia mais tem mostrado isso. Cada um que detém uma informação a repassa como e quando quiser, Twitter, sites de relacionamentos, blogs e etc.

Que o diga a febre do momento, o tal do Wikileaks, além dos sites em que todos podem interferir policiados mutuamente como o Wikipédia...sem falar nos blogs jornalísticos independentes que se multiplicam freneticamente...

A tentativa de alguns países de cercear o Wikileaks e a desaprovação da sociedade global demonstra claramente que as formas de controle tradicionais e a ausência de transparência são coisas do passado.

A internet parece até a materialização no mundo virtual da utopia anarquista que não foi possível (ainda) no mundo concreto...um mundo sem hierarquias, onde a informação circula livre, "leve" e solta.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Calem a boca, nordestinos!


Reproduzo aqui um texto que ganhou a internet nesta semana...Este blog é absolutamente contra toda e qualquer forma de preconceito.


Calem a boca, nordestinos!


Por José Barbosa Júnior

A eleição de Dilma Rousseff trouxe à tona, entre muitas outras coisas, o que há de pior no Brasil em relação aos preconceitos. Sejam eles religiosos, partidários, regionais, foram lançados à luz de maneira violenta, sádica e contraditória.

Já escrevi sobre os preconceitos religiosos em outros textos e a cada dia me envergonho mais do povo que se diz evangélico (do qual faço parte) e dos pilantras profissionais de púlpito, como Silas Malafaia, Renê Terra Nova e outros, que se venderam de forma absurda aos seus candidatos. E que fique bem claro: não os cito por terem apoiado o Serra... outros pastores se venderam vergonhosamente para apoiarem a candidata petista. A luta pelo poder ainda é a maior no meio do baixo-evangelicismo brasileiro.

Mas o que me motivou a escrever este texto foi a celeuma causada na internet, que extrapolou a rede mundial de computadores, pelas declarações da paulista, estudante de Direito, Mayara Petruso, alavancada por uma declaração no twitter: "Nordestino não é gente. Faça um favor a SP, mate um nordestino afogado!".

Infelizmente, Mayara não foi a única. Vários outros “brasileiros” também passaram a agredir os nordestinos, revoltados com o resultado final das eleições, que elegeu a primeira mulher presidentE ou presidentA (sim, fui corrigido por muitos e convencido pelos "amigos" Houaiss e Aurélio) do nosso país.

E fiquei a pensar nas verdades ditas por estes jovens, tão emocionados em suas declarações contra os nordestinos. Eles têm razão!

Os nordestinos devem ficar quietos! Cale a boca, povo do Nordeste!

Que coisas boas vocês têm pra oferecer ao resto do país?

Ou vocês pensam que são os bons só porque deram à literatura brasileira nomes como o do alagoano Graciliano Ramos, dos paraibanos José Lins do Rego e Ariano Suassuna, dos pernambucanos João Cabral de Melo Neto e Manuel Bandeira, ou então dos cearenses José de Alencar e a maravilhosa Rachel de Queiroz?

Só porque o Maranhão nos deu Gonçalves Dias, Aluisio Azevedo, Arthur Azevedo, Ferreira Gullar, José Louzeiro e Josué Montello, e o Ceará nos presenteou com José de Alencar e Patativa do Assaré e a Bahia em seus encantos nos deu como herança Jorge Amado, vocês pensam que podem tudo?

Isso sem falar no humor brasileiro, de quem sugamos de vocês os talentos do genial Chico Anysio, do eterno trapalhão Renato Aragão, de Tom Cavalcante e até mesmo do palhaço Tiririca, que foi eleito o deputado federal mais votado pelos... pasmem... PAULISTAS!!!

E já que está na moda o cinema brasileiro, ainda poderia falar de atores como os cearenses José Wilker, Luiza Tomé, Milton Moraes e Emiliano Queiróz, o inesquecível Dirceu Borboleta, ou ainda do paraibano José Dumont ou de Marco Nanini, pernambucano.

Ah! E ainda os baianos Lázaro Ramos e Wagner Moura, que será eternizado pelo “carioca” Capitão Nascimento, de Tropa de Elite, 1 e 2.

Música? Não, vocês nordestinos não poderiam ter coisa boa a nos oferecer, povo analfabeto e sem cultura...

Ou pensam que teremos que aceitar vocês por causa da aterradora simplicidade e majestade de Luiz Gonzaga, o rei do baião? Ou das lindas canções de Nando Cordel e dos seus conterrâneos pernambucanos Alceu Valença, Dominguinhos, Geraldo Azevedo e Lenine? Isso sem falar nos paraibanos Zé e Elba Ramalho e do cearense Fagner...

E não poderia deixar de lembrar também da genial família Caymmi e suas melofias doces e baianas a embalar dias e noites repletas de poesia...

Ah! Nordestinos...

Além de tudo isso, vocês ainda resistiram à escravatura? E foi daí que nasceu o mais famoso quilombo, símbolo da resistência dos negros á força opressora do branco que sabe o que é melhor para o nosso país? Por que vocês foram nos dar Zumbi dos Palmares? Só para marcar mais um ponto na sofrida e linda história do seu povo?

Um conselho, pobres nordestinos. Vocês deveriam aprender conosco, povo civilizado do sul e sudeste do Brasil. Nós, sim, temos coisas boas a lhes ensinar.

Por que não aprendem conosco os batidões do funk carioca? Deveriam aprender e ver as suas meninas dançarem até o chão, sendo carinhosamente chamadas de “cachorras”. Além disso, deveriam aprender também muito da poesia estética e musical de Tati Quebra-Barraco, Latino e Kelly Key. Sim, porque melhor que a asa branca bater asas e voar, é ter festa no apê e rolar bundalelê!

Por que não aprendem do pagode gostoso de Netinho de Paula? E ainda poderiam levar suas meninas para “um dia de princesa” (se não apanharem no caminho)! Ou então o rock melódico e poético de Supla! Vocês adorariam!!!

Mas se não quiserem, podemos pedir ao pessoal aqui do lado, do Mato Grosso do Sul, que lhes exporte o sertanejo universitário... coisa da melhor qualidade!

Ah! E sem falar numa coisa que vocês tem que aprender conosco, povo civilizado, branco e intelectualizado: explorar bem o trabalho infantil! Vocês não sabem, mas na verdade não está em jogo se é ou não trabalho infantil (isso pouco vale pra justiça), o que importa mesmo é o QUANTO esse trabalho infantil vai render. Ou vocês não perceberam ainda que suas crianças não podem trabalhar nas plantações, nas roças, etc. porque isso as afasta da escola e é um trabalho horroroso e sujo, mas na verdade, é porque ganha pouco. Bom mesmo é a menina deixar de estudar pra ser modelo e sustentar os pais, ou ser atriz mirim ou cantora e ter a sua vida totalmente modificada, mesmo que não tenha estrutura psicológica pra isso... mas o que importa mesmo é que vão encher o bolso e nunca precisarão de Bolsa-família, daí, é fácil criticar quem precisa!

Minha mensagem então é essa: - Calem a boca, nordestinos!

Calem a boca, porque vocês não precisam se rebaixar e tentar responder a tantos absurdos de gente que não entende o que é, mesmo sendo abandonado por tantos anos pelo próprio país, vocês tirarem tanta beleza e poesia das mãos calejadas e das peles ressecadas de sol a sol.

Calem a boca, e deixem quem não tem nada pra dizer jogar suas palavras ao vento. Não deixem que isso os tire de sua posição majestosa na construção desse povo maravilhoso, de tantas cores, sotaques, religiões e gentes.

Calem a boca, porque a história desse país responderá por si mesma a importância e a contribuição que vocês nos legaram, seja na literatura, na música, nas artes cênicas ou em quaisquer situações em que a força do seu povo falou mais alto e fez valer a máxima do escritor: “O sertanejo é, antes de tudo, um forte!”


Que o Deus de todos os povos, raças, tribos e nações, os abençoe, queridos irmãos nordestinos!

domingo, 31 de outubro de 2010

"Cálidas felicitações..."


Frase de Hugo Chaves, o irreverente presidente venezuelano ao cumprimentar DILMA Rousseff, a primeira presidente eleita do Brasil.

Ter um cabo eleitoral do porte de LULA é o sonho de qualquer candidato. No entanto, atribuir a vitória de DILMA a LULA, tão somente, é algo que nem o próprio admite.

Há algo de especial nessa mulher que o presidente viu primeiro que todo mundo. Somente sua gestão à frente do governo revelará (ou não).

Dilma não é simpática, fato. Detalhe, precisa?

Dilma não tem currículo político (mandato), outro fato. E de novo pergunto, precisa?

A experiência é sempre importante, mas que tipo de experiência?

A eleição de DILMA nos leva a refletir sobre nossos pré conceitos.

Se falou muito nesses dias pré eleitorais sobre "criador e criatura", referência jocosa a LULA e DILMA.

O dado concreto é que Dilma teve experiência onde Serra não teve. Foi presa e torturada pelo regime militar, fato este que lhe propiciou conviver com o poder as avessas.

Por outro lado, esteve junto de um verdadeiro mestre da política. Como São Paulo, Apóstolo, aos pés de Gamaliel, assim foi Dilma, fiel discípula diante de Sua Excelência.

Dilma estava no lugar certo, na hora certa e com a pessoa certa. Quando a "estrela" de uma pessoa brilha desta forma, a experiência se torna consequência e não a causa desse brilho.

Afinal, para que serve a experiência desacompanhada da sorte?

É natural aos perdedores desdenhar dos vencedores. Foi assim com LULA. Diziam que ele teve a sorte de não enfrentar crises globais ao longo de seu governo.

Dizem que Dilma teve a sorte de ter LULA como cabo eleitoral.

Que dizer de Serra e da oposição atrapalhada que teve o azar de não ter sorte?

Por tudo isso, a saudação chavista à nova presidente é a que me parece mais propícia nesta hora:

Cálidas felicitações, DILMA!

Brasil, 31 de Outubro de 2010


Hoje é um grande dia para o Brasil. Confirmadas as pesquisas, teremos pela primeira vez na história uma mulher eleita para o posto mais alto do país. Isso seguido de oito anos do primeiro operário eleito para o mesmo cargo. Conclusão, o Brasil está mudando rapidamente. Está se tornando cada vez mais politizado. Tudo indica que há uma franca resistência ao modelo que engessou o desenvolvimento desse país por anos a fio. Basta de elites no poder! Por 500 anos o Brasil esteve em suas mãos e conhecemos o atraso na prática e na pele. Tiveram muito tempo para governar. Competencia, certamente não lhes faltava, mas faltava decência, faltava vontade política, faltava cristianismo para ver o outro como igual em meio a desigualdade que eles mesmo gestaram e promoveram. Hoje o povo da a resposta nas urnas, o recado é claro: "Cansamos de vocês e aprovamos o governo que representa as classes populares". Dentro em pouco as urnas serão abertas e o Brasil seguirá em frente com DILMA Presidente! Parabéns Brasil!

Marcello di Paola

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Considerações políticas à véspera da eleição...


Há três dias do 2º turno das eleições, a impressão que tenho é que vivemos um grande momento de nossa história republicana. Campanha eleitoral é um tempo de desgaste tanto para candidatos como para eleitores. A super exposição na mídia predispõe os candidatos ao excrutínio impiedoso da população, que por vezes esquece que quem concorre, além de político é humano e, portanto, passivo de irritação e atos falhos que, não raro, os "incriminam"...Evidentemente cada lado explora a fraqueza do outro superestimando seus vacilos. Somado tudo e descontado os excessos de ambas as partes, percebemos que o eleitor tantas vezes espera o que jamais virá, ou seja, o candidato ideal. A bem da verdade, candidato ideal não existe em parte alguma. O que existe são candidatos idealizados e, em grande parte, por um eleitorado despolitizado que não vive a essência da política fora dos períodos de campanha, triste legado de um país governado pelas elites, que pepertuou um sentimento de aversão pelo tema nas classes medias e populares. Após 8 anos de um governo decididamente representativo das classes marginalizadas, e confirmado nas urnas o que vem dizendo todas as pesquisas, a expectativa é que a continuidade com avanços, proposta pela líder nas intenções de voto, leve o eleitor a um redescobrimento da política, de forma a substituir expectativas surreais por uma militância cidadã e participativa ao longo do mandato. Que ao final desse pleito, todo o desgaste possa ter valido a pena diante do futuro brilhante a que estamos predestinados.

sábado, 23 de outubro de 2010

Revolução à francesa


Ser governo, definitivamente não é tarefa fácil. O problema que a França enfrenta hoje, chegará mais cedo ou mais tarde em diversos países, inclusive no Brasil. O défict das previdências mundiais é o preço pelo avanço da tecnologia na medicina. As pessoas estão vivendo cada vez mais. Em contrapartida não está havendo uma reposição de mão de obra proporcional aos que se aposentam. Menos pessoas estão nascendo. É evidente que os dias de hoje são outros, mas não há como não evocar a célebre fala de John Kennedy na década de 60:

"Não perguntem o que os Estados Unidos podem fazer por nós, mas o que nós podemos fazer pelos Estados Unidos"

Os franceses, com seu histórico de politização, são altamente sensíveis quanto as suas conquistas sociais e por isso foram às ruas protestar.

Na época de Kennedy, o contexto de guerra fria unia a nação norte americana em torno de um só objetivo, o combate ao inimigo comum, o comunismo. O discurso presidencial encontrava guarida nos corações que estavam predispostos a delegar ao Estado todos os seus direitos com vistas ao bem comum.

A França moderna parece não ter um inimigo comum que justifique postura semelhante.

Seja como for, o dado concreto é que ninguém quer pagar a conta da crise gerada pelos avanços da tecnologia. Tudo tem o seu preço. A sociedade francesa, e não só ela, mas a sociedade global precisa refletir sobre essa realidade presente, o custo do bem estar social.

Os teóricos debatem, mas o senso comum precisa entender que tudo que se ganha de um lado, se perde por outro, ainda mais no capitalismo.

Trago um link de acesso às fotos que retratam o atual momento frances...

http://especiais.ig.com.br/zoom/protestos-e-greve-na-franca/